quinta-feira, 24 de abril de 2008

Ver Lisboa no Castelo

Lisboa tem sempre novos segredos para revelar. Quem vai ao Castelo de S. Jorge, fica decerto deslumbrado com a vista magnífica que dali pode desfrutar. Mas essa não é a única "vista" da cidade a que se pode aceder do Castelo. Se tem dúvidas, procure a Torre de Ulisses, e dê um salto à Câmara Escura. Aí se pode deliciar com uma visita panorâmica de toda a cidade em volta do Castelo, da Igreja de S. Vicente de Fora ao Jardim de S. Pedro de Alcântara, do Parque Eduardo VII ao Monumento a Cristo Rei. E observar os movimentos dos Cacilheiros no Tejo, dos automóveis nas ruas circundantes, das pessoas ao longo dos passeios, ou também, se tiver sorte, a cena dum cão correndo furioso atrás dum gato na encosta do Miradouro da Graça. Tudo isto está acessível numa visita ao Castelo de S. Jorge, graças à instalação dum mecanismo inventado há cinco ou seis séculos por Leonardo da Vinci, constituído por um periscópio associado a duas lentes potentes e a um prato côncavo de grandes dimensões, onde se reflecte a imagem da cidade, acessível até ao limite da linha do horizonte e duma rotação completa (360º). E só há uma condição para se poder gozar deste magnífico espectáculo: que o céu esteja limpo e luminoso, e que o vento esteja na hora do descanso...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Uma Visita ao Planetário Calouste Gulbenkian

Sinto algum desconforto (vergonha, por que não...?) em confessar que vivo em Lisboa há mais de três décadas, e que só agora fiz uma visita ao Planetário Calouste Gulbenkian - com a agravante de que nem sequer o fiz por minha iniciativa! Mas, enfim, já posso "desarriscar" mais uma página de monumentos e locais de interesse a ver ou visitar na capital.
Integrado no Museu da Marinha, em Belém, em espaço contíguo ao não menos famoso, imponente e importante Mosteiro dos Jerónimos, O Planetário foi construído em meados da década de sessenta do século passado, num empreendimento que resultou duma parceria entre o Estado Português e a Fundação Calouste Gulbenkian, a qual se responsabilizou pela aquisição do equipamento e da cúpula interior, correspondendo a cerca de dois terços do investimento total.
Uma sessão tem a duração estimada de 50 minutos, tempo durante o qual nos é proporcionada uma "viagem", no espaço e no tempo, pelo Universo visível, com destaque para a visão das estrelas e constelações do nosso hemisfério e da Via Láctea, a apresentação de todos os planetas do Sistema Solar, a simulação do movimento aparente do Sol e do seu 'bailado' com a Lua, a demonstração dos conceitos de latitude e longitude e uma explicação sobre a navegação marítima realizada com base na orientação através das estrelas e constelações.
Uma agradável experiência, também ela sabiamente orientada por uma "estrela" dos Quadros do Planetário, que nos conduziu por espaços e tempos insondáveis, e que nos trouxe a bom porto no "timing" programado.
Com uma já longa vida de mais de 40 anos, pena é que as novas potencialidades do 'multimedia' não tenham ali já um papel de maior relevo, e que as cadeiras da "nave espacial" já se tornem um pouco incómodas para os menos jovens nesta viagem galáctica ou inter-estelar.

domingo, 2 de março de 2008

Paris Vale Bem uma Missa...?

Está nos livros, e será verídica, a afirmação de Henrique de Navarra, protestante calvinista, quando, em 1593, se viu na contingência de abjurar da religião que professava, como condição para a Liga dos Nobres permitir a sua entrada em Paris para, aí, ser sagrado como Rei Henrique IV de França.
Esta história estava bem fresca na minha memória, pois tinha acabado de ser ventilada na aula de História da Idade Moderna na Universidade da Terceira Idade que frequento, quando me foi endereçado convite para participar na Missa de abertura do Ano Jubilar da Congregação das Irmãs Doroteias, que ontem se realizou às 18,00 horas na Igreja de São João de Brito, em Lisboa, sob a presidência do Cardela Patriarca, D. José Policarpo.
Conquanto o meu primeiro impulso tivesse sido declinar o convite, por força da posição crítica que há muito mantenho quanto à validade da doutrina e do ritual religiosos, fui mesmo à Missa, pois me pareceu a melhor forma de honrar a disponibilidade das Irmãs Maria Teresa Nazaret e Maria Antónia (que me convidou), ambas aposentadas daquela Congregação, que fazem o obséquio de, em regime de voluntariado, serem, ou terem sido, minhas professoras na Universidade e, como tal, merecedoras da minha gratidão e amizade.
E, se "Paris vale bem uma missa", a amizade vale-a ainda mais...
Uma última palavra de apreço para a Congregação das Doroteias, que mantêm acesa, há 175 anos, a chama que Santa Paula Frassinetti em boa hora acendeu. (Fundamentalismos, não!...)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Mau tempo e política

Somos mesmo uns sortudos, pois até os temporais que nos assolam trazem sempre em 'post scriptum' um tímido pedido de desculpas.
Sem embargo, vão causando mossa neste ou naquele local, como os telejornais nos foram mostrando, com cenas mais ou menos dramáticas em Setúbal, Sacavém, Belas e outros locais de 'culto' para eventos desta natureza (desta vez o Tejo portou-se bem...).
Mas há sempre um factor comum, que os protagonistas ou as vítimas sistematicamente invocam no rescaldo da tragédia: a culpa é dos políticos, e em particular (no caso vertente) do Sócrates e do Cavaco, que agora são os "pais tiranos" da nossa preferência. De tal forma, que até os responsáveis das autarquias descarregam para cima das costas deles as responsabilidades que por certo lhes caberão na adopção de medidas preventivas, quais sejam a inevitável e nunca feita limpeza dos algerozes ou a proibição de construção em zonas prejudiciais para a boa gestão e ordenamento do território.
Cabe perguntar: algum dia algum político 'distraído' irá assumir a responsabilidade pessoal pelas ineficiências da gestão autárquica nesta área...?!